Uma necessidade da pandemia mobilizou diferentes setores em torno de uma mesma solução: desenvolver uma alternativa ao álcool em gel. A partir da articulação da NanoBrasil, UFMG, Anvisa e Drogarias Araújo se conectaram em diferentes etapas que levaram o POOF, antisséptico à base de nanocobre, da ideia ao mercado.
Durante a pandemia de COVID-19, o álcool em gel passou a fazer parte da rotina de prevenção. Mas o uso frequente também trouxe alguns problemas, como ressecamento e irritação da pele. Foi nesse cenário que a NanoBrasil identificou uma oportunidade: usar o nanocobre, que tem propriedades antimicrobianas, para desenvolver uma alternativa ao álcool em gel.

“Nós percebemos que havia um grande problema de uso do álcool em gel pelas próprias características dele. Inflamável, altamente tóxico, e por causar ressecamento da pele. E nós notamos que o nosso nanocobre podia dar conta disso”, explica Oscar Geigner, diretor comercial da NanoBrasil.
A oportunidade encontrou uma demanda concreta quando um fundo de investimentos procurou a NanoBrasil interessada em criar uma solução disruptiva em relação ao álcool em gel e levá-la ao mercado. A partir daí, o desafio deixou de ser apenas tecnológico: era preciso entender qual produto desenvolver, como posicioná-lo e quais parceiros seriam necessários para viabilizá-lo.
O mercado antes do produto
A análise mercadológica foi uma das primeiras etapas do projeto. Em vez de partir diretamente para a formulação, a NanoBrasil buscou entender como aquela solução poderia entrar em um mercado já dominado pelo álcool em gel.
A pesquisa indicou que, embora o nanocobre permitisse desenvolver um produto diferente, romper completamente com os hábitos do consumidor poderia dificultar sua aceitação.
“Para não quebrar os paradigmas todos, que havia muitos, nós pusemos um cheiro, uma cor e mantemos a composição em gel para o produto”, conta Oscar.

A decisão é um exemplo de como a análise de mercado interferiu diretamente no desenvolvimento. Para a NanoBrasil, esse diagnóstico inicial também evita que empresas invistam em um projeto sem conhecer previamente suas possibilidades.
“É por isso que a gente sempre começa o trabalho de P&D fazendo um relatório técnico, mercadológico, para o nosso cliente saber exatamente em que pé está. Não começar do zero”, afirma.
Além de apontar características do produto, esse trabalho busca mapear possibilidades de negócio. Segundo Oscar, a análise serve para apresentar ao cliente diferentes rotas possíveis para uma mesma tecnologia.

“Em termos mercadológicos, qual é o resultado que isso pode dar e o caminho que ele precisa tomar para isso, para esse produto dar certo. Então, a gente dá um trabalho absolutamente completo, não só técnico. Não só um caminho, nós damos 10 caminhos em média”, explica.
Quando a ideia encontra a ciência
Com o direcionamento definido, a etapa seguinte foi transformar a proposta em uma formulação. A NanoBrasil desenvolveu a fórmula e articulou a participação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) nas validações de eficiência microbiológica do antisséptico.

O trabalho avançou rapidamente diante do contexto de emergência sanitária. Em cerca de seis meses, a formulação foi desenvolvida, abrindo caminho para as etapas seguintes.
Uma formulação precisa chegar à indústria
Com a solução formulada, o projeto ainda precisava superar a distância entre o laboratório e a produção em escala. A NanoBrasil articulou uma empresa para realizar a industrialização e deu sequência à construção da cadeia necessária para levar o produto ao mercado.
Esse movimento revela uma característica central do projeto: não havia uma única empresa responsável por todas as etapas. A cada novo desafio, novos atores precisavam entrar em cena.

Foi o caso da Anvisa. A produção precisava passar pelo processo regulatório e, durante a pandemia, o contexto de urgência permitiu maior agilidade em determinados procedimentos.
“Conseguimos trabalhar com a Anvisa para liberar isso, que na época era mais fácil, porque usava a urgência disso”, relata Oscar.
A articulação regulatória também fazia parte de uma estratégia mais ampla. A NanoBrasil buscava caminhos para que a solução pudesse avançar posteriormente em direção ao mercado hospitalar, o que exigiria novas permissões e etapas.
Da indústria para as mãos do consumidor
Com o desenvolvimento e a produção encaminhados, o projeto chegou à etapa de comercialização. As Drogarias Araújo entraram como parceiras para levar o POOF ao consumidor.

O resultado foi uma cadeia que reuniu diferentes competências em torno de uma mesma solução: a GNB – empresa criada pelo fluxo de investimentos – trouxe a demanda pelo desenvolvimento; a UFMG participou da validação microbiológica; a indústria viabilizou a produção; a Anvisa integrou o processo regulatório; e as Drogarias Araújo fizeram a conexão com o mercado.
O POOF chegou às prateleiras como um antisséptico em gel desenvolvido com tecnologia de nanocobre. Segundo os resultados obtidos durante o desenvolvimento, a solução apresentou ação antimicrobiana e capacidade de eliminar 99,9% dos vírus presentes nas mãos, além de eficácia contra vírus relacionados à COVID-19 e à mpox.
O próximo passo: levar a tecnologia ainda mais longe
A história do POOF mostra que, entre uma necessidade identificada e uma solução disponível no mercado, existe uma sequência de decisões que vai muito além do desenvolvimento tecnológico.
No projeto, a NanoBrasil atuou conectando as competências necessárias em cada etapa e, ao mesmo tempo, utilizando informações técnicas e mercadológicas para orientar os caminhos possíveis.
Essa lógica também abre novas possibilidades para o POOF. Com uma base já desenvolvida e validada, a tecnologia pode servir de ponto de partida para novas aplicações em produtos e mercados, como soluções para a saúde, limpeza, tintas e tecidos.
“O mercado hospitalar é o caminho que queremos seguir com o POOF. A ideia é ampliar a aplicação dessa tecnologia e transformar essa base em novas soluções para a área da saúde”, afirma Oscar Geigner, diretor comercial da NanoBrasil.
Mais do que um produto desenvolvido para responder a uma necessidade da pandemia, o POOF pode ser o ponto de partida para uma nova série de aplicações. A tecnologia que chegou ao mercado pode, agora, abrir caminho para novas soluções.