A capacidade de desenvolver soluções nanotecnológicas sob medida para demandas da indústria vem abrindo novas frentes para a NanoBrasil em Santa Catarina. Depois de iniciar uma aproximação com o setor produtivo do estado por meio de articulação com a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), a empresa avançou também no BRDE Labs, programa de inovação aberta que conecta grandes companhias a negócios capazes de responder a desafios tecnológicos.

A NanoBrasil foi convidada a participar do programa após um processo de busca conduzido pelo LinkLab, iniciativa de inovação aberta da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE). A identificação ocorreu sem relacionamento prévio entre as partes: startup hunter do LinkLab, Bruno Uliano chegou à empresa por meio de uma pesquisa e enxergou aderência entre sua atuação em nanotecnologia e uma demanda apresentada pela Texneo, indústria têxtil catarinense.
“Nunca tinha ouvido falar da NanoBrasil. Encontrei pelo próprio site. A gente também escolhe algumas empresas para fomentar a participação quando entende que elas conseguem resolver o problema, e a NanoBrasil foi uma delas”, conta Bruno.
Da busca ao convite
O BRDE Labs é uma iniciativa fomentada pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e operacionalizada, neste desafio, pela ACATE. O programa aproxima empresas de grande porte de negócios com capacidade tecnológica para desenvolver soluções relacionadas a demandas concretas da indústria.
Embora a iniciativa seja direcionada principalmente a startups, a NanoBrasil pôde participar por sua qualificação para responder ao desafio proposto. “A NanoBrasil não se encaixa como startup. Mas o programa não impede a participação de outras empresas. Como ela estava qualificada para atender ao desafio, não havia problema em participar”, explica Bruno.
No caso da Texneo, a demanda envolve a incorporação de atributos de valor e tecnologias funcionais em malhas de alta performance. Diferentemente de desafios em que a solução buscada já está previamente delimitada, a empresa catarinense abriu espaço para a construção conjunta do projeto – característica que aproximou a demanda da forma de atuação da NanoBrasil.
“A NanoBrasil junta soluções de nanotecnologia que estão disponíveis e desenvolvem todo o projeto junto com a corporação. Isso era o que a Texneo estava procurando: alguém disponível para desenvolver esse projeto junto com eles”, afirma Bruno.
Após o convite, a NanoBrasil participou do processo de seleção, apresentou seu pitch e avançou para a etapa de alinhamento com a Texneo. Ao fim desse processo, elaborou uma proposta comercial dividida em duas etapas, atualmente sob análise da indústria catarinense. A eventual contratação levará o trabalho à fase de desenvolvimento do projeto-piloto.

“A NanoBrasil nasceu com a proposta de aproximar a nanotecnologia dos desafios reais da indústria. Quando uma instituição de outro estado nos identifica, avalia nossa capacidade e nos convida para responder a uma demanda industrial, isso mostra que esse trabalho está atravessando fronteiras e abrindo novas conexões para a nanotecnologia brasileira”, conta Oscar Geigner, cofundador e diretor comercial da NanoBrasil.
Nanotecnologia sob demanda
A aderência percebida durante o BRDE Labs está relacionada a uma característica que orienta a atuação da NanoBrasil: em vez de oferecer apenas soluções prontas, a empresa parte do problema industrial para identificar, adaptar ou desenvolver a tecnologia mais adequada a cada aplicação.
É justamente essa capacidade que Bruno enxerga como uma oportunidade de aproximação com outros segmentos da economia catarinense. Além da força do setor têxtil, ele cita possibilidades em tintas e na indústria metal-mecânica, especialmente em aplicações relacionadas a diferentes materiais, como aços e polímeros.

“Por desenvolver projetos do zero e não venderem simplesmente um produto pronto de prateleira, acredito que isso possa conectar a outros setores da economia para desenvolver, junto com as empresas, as tecnologias de que elas precisam”, avalia.
No setor têxtil, a aproximação com a Texneo já oferece um primeiro campo para essa construção. Em outras áreas, propriedades conferidas por nanotecnologia podem ser investigadas a partir de demandas específicas de materiais, superfícies, formulações e processos produtivos.
“Santa Catarina tem uma indústria muito diversificada e setores com enorme potencial para aplicações da nanotecnologia. Nossa aproximação com a FIESC abriu um caminho importante, e o BRDE Labs permitiu avançar para uma demanda concreta da indústria têxtil. É exatamente assim que a NanoBrasil trabalha: entendendo o desafio da empresa e construindo, a partir dele, uma solução nanotecnológica que faça sentido técnica e economicamente”, explica Oscar.
Novas conexões no Sul
A participação no BRDE Labs se soma ao movimento iniciado pela NanoBrasil junto à FIESC e amplia a rede de conexões da empresa em Santa Catarina. Para a NanoBrasil, a abertura de novas frentes fora de Minas Gerais também coloca à prova seu modelo de atuação em ambientes industriais distintos: combinar conhecimento científico, desenvolvimento nanotecnológico e a necessidade concreta apresentada pela empresa parceira.