Mais tecnologia nas rodovias

Mais vida útil, menos manutenção: NanoBrasil leva nanotecnologia ao desafio das rodovias nacionais

Foto de Publicado em 14/10/2026

Publicado em 14/10/2026

Por: Agência de Notícias NanoBrasil

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Fazer um pavimento durar mais significa mexer em uma conta que envolve manutenção, interrupções no tráfego, consumo de materiais e eficiência dos investimentos em infraestrutura. É nesse desafio que a NanoBrasil começa a aplicar sua experiência em nanotecnologia, em parceria com concessionárias, para desenvolver materiais capazes de tornar estradas e estruturas mais resistentes, duráveis e eficientes.

A dimensão econômica dessa busca é expressiva. Somente em 2025, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) investiu aproximadamente R$ 8 bilhões em serviços de manutenção corretiva e rotineira nos cerca de 57 mil quilômetros de rodovias federais sob sua administração. O dado não inclui as malhas concedidas, mas ajuda a dimensionar o peso da conservação rodoviária no país.

O trabalho iniciado pela NanoBrasil envolve a incorporação de nanomateriais em pavimentos, ligantes, concretos e materiais empregados na estabilização de solos. Em escala nanométrica, alterações na composição e na interação entre os materiais podem modificar propriedades físico-químicas e mecânicas e abrir caminhos para ganhos de resistência, aderência, durabilidade e tempo de cura.

O trabalho parte justamente da possibilidade de obter mais desempenho dos materiais utilizados em uma infraestrutura submetida continuamente a cargas, intempéries e desgaste. Para concessionárias, ganhos desse tipo podem significar menos intervenções ao longo do ciclo de vida das rodovias, melhor aproveitamento de matérias-primas e maior eficiência dos recursos destinados à construção e à manutenção.

Estradas sob outra escala

A aplicação da nanotecnologia em rodovias já é objeto de pesquisa e demonstração fora do Brasil. Na União Europeia, o projeto DURABROADS desenvolveu asfaltos modificados com nanomateriais de carbono e levou as soluções a um trecho-piloto na Espanha, além de submetê-las a avaliações técnicas, econômicas e ambientais.

Entre os resultados, o projeto produziu misturas que atendiam às especificações espanholas para vias de tráfego mais intenso e utilizavam grandes proporções de materiais reaproveitados. Dependendo da formulação, entre 65% e 97% dos agregados naturais foram substituídos por asfalto recuperado e escórias.

Nas análises realizadas pelo projeto para um horizonte de 50 anos, todas as alternativas comparadas aos respectivos casos-base apresentaram menor impacto ambiental e menor custo ao longo do ciclo de vida. Ou seja, atuar sobre a matéria em escala nanométrica já integra a busca internacional por pavimentos mais duráveis e por uma infraestrutura capaz de consumir menos recursos ao longo de sua vida útil.

“Dessa forma, a nanotecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta de melhoria de materiais e passa a atuar como uma plataforma de inovação para o setor, permitindo desenvolver soluções mais duráveis, eficientes, econômicas e sustentáveis para os desafios atuais e futuros da infraestrutura rodoviária”, afirma Manuel Rodríguez, coordenador de Inovação e Desenvolvimento da NanoBrasil.

Do solo ao pavimento

Entre as possibilidades estudadas pela NanoBrasil está o tratamento de solos de baixa resistência. A proposta é avaliar se nanomateriais podem modificar características desses solos e ampliar seu aproveitamento em obras rodoviárias, reduzindo limitações apresentadas pelos materiais em suas condições originais.

Outras frentes incluem pavimentos, ligantes e concretos, além da investigação sobre consumo de matérias-primas e tempos de execução e cura.

“Estamos trabalhando, em parceria com concessionárias, em diferentes frentes de aplicação da nanotecnologia na infraestrutura rodoviária e na engenharia civil”, explica Manuel. Segundo ele, o desenvolvimento busca “otimizar materiais e processos, reduzir custos operacionais, aumentar o desempenho e a vida útil das estruturas”.

A entrada nesse campo amplia a aplicação da plataforma tecnológica da NanoBrasil para um setor em que pequenos ganhos de desempenho dos materiais podem ganhar outra dimensão quando multiplicados por milhares de quilômetros de infraestrutura.

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