Pesquisadores do MIT e da Universidade de Chicago desenvolveram filtros capazes de capturar dióxido de carbono (CO₂) diretamente do ar por meio de sistemas já presentes em edifícios, como ar-condicionados e estruturas de ventilação.
“A proposta pode transformar prédios, escolas, escritórios e fábricas em unidades distribuídas de captura de carbono, incorporando estratégias de descarbonização à infraestrutura urbana já existente”, explica Manuel Rodríguez, coordenador de inovação e desenvolvimento da NanoBrasil.
A inovação utiliza nanofibras de carbono revestidas com polímeros especiais, capazes de ampliar significativamente a área de contato com o CO₂ e aumentar a eficiência da captura do gás.
Na prática, isso permite reduzir o consumo energético do processo em comparação aos modelos industriais tradicionais de captura de carbono.
Captura integrada
Hoje, grande parte das tecnologias de captura de carbono depende de plantas industriais complexas, com alto custo operacional e elevada demanda energética.
“Segundo os pesquisadores, o sistema foi desenvolvido para operar com baixo consumo energético, justamente para permitir sua aplicação em larga escala em edifícios e estruturas urbanas”, explica Manuel.
A proposta é que os filtros atuem de forma integrada aos sistemas de ventilação já existentes, sem gerar impacto significativo no consumo de energia das edificações.
A busca por soluções desse tipo vem crescendo nos últimos anos diante das metas globais de redução de emissões. Tecnologias capazes de reduzir ou capturar CO₂ ganharam força diante dos impactos ambientais e das metas globais de transição para modelos mais sustentáveis.
Além da redução potencial das emissões, a tecnologia também pode contribuir para melhorias na qualidade do ar interno e na eficiência energética dos edifícios.
Aplicação prática
“Esse tipo de solução mostra como a nanotecnologia pode deixar de atuar apenas em ambientes laboratoriais e passar a integrar estruturas do cotidiano das cidades”, afirma Rodríguez.
Embora os resultados sejam promissores, a aplicação em larga escala ainda depende de avanços em produção industrial, durabilidade dos filtros e infraestrutura para reaproveitamento do carbono capturado.
Mesmo com os desafios, o avanço reforça como materiais nanoestruturados vêm ampliando as possibilidades de aplicação da nanotecnologia em soluções ambientais de larga escala.
“A NanoBrasil acompanha esse tipo de avanço justamente para conectar soluções promissoras às demandas da indústria e do mercado”, afirma Manuel Rodríguez, coordenador de inovação e desenvolvimento da NanoBrasil.